Adoro a hipocrisia do povo brasileiro. Uma vez, eu vi um texto de alguém falando que o brasileiro é aquela gorda que sai pra rua de roupas curtas e apertadas, e quando alguém ri ou tira um sarrinho, ela volta para casa chorando e, apenas remedia a situação trocando de roupa. E isso é a mais pura verdade.
Agora mesmo, abri o Facebook e vi um post que traz a bandeira do Brasil e uma suposta carta de uma Holandesa, falando que nosso país é uma “maravilha”, porque as pessoas lavam a mão antes de comer e existem lugares para não fumantes. Acho que essa senhora não vai precisar usar o sistema de saúde nosso e não vai matricular seus filhos em escolas públicas. E, provavelmente, ela deve morar em condomínio fechado, assim, fica protegida da realidade.
Outra coisa que me incomoda é esse lance do “politicamente correto” e das “políticas de minorias”. Nunca vi uma discussão tão desnecessária quanto essa do tal “comediante” e, pra falar a verdade, nem fui atrás do contexto que ele fez as tais “piadinhas”. A partir do momento que nasceram as redes sociais, e todo mundo ganhou voz e seu espaço, merda iria acontecer. E aconteceu! Para essas horas, vale a lei máxima do convívio na web:NÃO ALIMENTE OS TROLLS.
Engana-se quem acha que eu não gosto do meu país. Se você gosta da situação e a acha cômoda, você faz parte do problema, também! E outra: se você se ofende com piadinhas de “minorias” mais do que com a corrupção, você precisa mudar o foco de sua leitura meu amigo, alguma coisa está errada…
Say hello to Heaven Amy
julho 25, 2011
Ontem, passei o dia em um evento que me isolou da realidade por horas. 4 da tarde, pude fazer minha pausa para o almoço e, com isso, me interar das notícias. Assim que abri o primeiro portal, li sobre a morte da Amy Winehouse, as apostas sobre sua morte e as teorias sobre como aconteceu.
É muito fácil criar teorias, culpá-la pelo o que aconteceu e deixar de lado tudo de bom que ela trouxe ao público, carente de boas referências. Difícil mesmo, é entender que existem pessoas que nasceram no lugar ou talvez época errada, que não se adaptam aos valores da nossa sociedade hipócrita, e acabam se entregando aos prazeres que tiram na mente o peso de uma existência torturada.
Esse tal fama é complicada, e lidar com ela pode ser mais difícil do que imaginamos. Não era legal ver estampado no rosto dela as marcas do álcool e das drogas, ver os vexames nos palcos e a falta de falta de auto-estima que são características de quem já se entregou por completo ao vício. Quem sabe agora, ela descanse em paz.
O que podemos tirar de bom nisso é a lição de que os bons exemplos vêm das boas atitudes. Ame a música, cante os sucessos, mas viva a realidade…
Fome de Viver
junho 20, 2011
Hoje, estava em casa curtindo aquela ressaca típica de domingo, então, resolvi me trancar no quarto, tomar Coca-cola e ver filmes antigos. Depois de algum tempo escolhendo, decidi assistir algo sombrio: Fome de Viver.
The Hunger (título em inglês) de 1983, é um filme que marcou época por sua fotografia escura e sombria, e conta a história de um casal de vampiros que se frequentam clubs undergrounds de Nova York e se alimentam dos que ali transitam. O filme nos traz como protagonistas Catherine Deneuve e David Bowie como o casal de vampiros.
Eu sou um consumidor assíduo do gênero, acompanho o mundo das trevas e sua “evolução” desde moleque, e acredito que os filmes de vampiros têm como grande atrativo a natureza sedutora desses predadores noturnos, e isso, foi retratado de diferentes formas no cinema e na literatura.
O vampiro mais famoso de todos foi inspirado em uma figura histórica: o Conde Vlad III. Sua espantosa história deu asas à imaginação de Bran Stoker e dessa inspiração nasceu o romance Drácula. De lá para cá, tivemos várias adaptações do romance para cinema e teatro e o título inspirou escritores como Anne Rice, autora de uma série de livros sobre o assunto, dentre eles, Entrevista com o Vampiro.
Infelizmente, não temos a oportunidade de ver só títulos bons nas telonas. Como o cinema também é uma indústria, e necessita de lucro, somos obrigados a aturar modismos e a inserção do mundo das trevas no contexto pop, e os vampiros que brilham e voam como fadinhas passam a ser o centro das atenções.
Mas nem tudo está perdido. Se você curte o gênero, Fome de Viver é sempre uma boa pedida. Um filme “cult” entre os admiradores da cultura gótica, com um clima sombrio e um final amargo, sem essas frescuras de contos de fadas e romances juvenis, que já estamos de saco cheio.
Orgulho? Nerd?
maio 26, 2011
Hoje, passei o dia lendo nas redes sociais homenagens e piadinhas sobre o Dia do Orgulho Nerd. É engraçado ver que hoje, um termo que antes era pejorativo, tornou-se cool e que muita gente sente-se à vontade para assumir esse estereótipo.
Eu, particularmente, discordo dessa modinha que vivemos atualmente. Ser nerd não é ser cool; os gordinhos esquisitos e os magrelos com o rosto cheio de espinhas ainda espantam as meninas, não fazem sucesso nas baladas, nem costumam ser populares. O que acontece na realidade é que, graças à internet, pessoas trocam experiências e opiniões, e você passa a ter mais contato com coisas que antes eram um “tabu”, e acabamos descobrindo que perdemos tempo, por puro preconceito, de viver excelentes momentos.
Hoje as pessoas lêem quadrinhos e descobrem que é uma leitura inteligente, emocionante e também é um trampolim para o jovem se aventurar na literatura formal. Hoje assistimos filmes de ficção científica, prestamos atenção na história elaborada e passamos a idolatrar Huxley, Azimov e Orwell. Também jogamos vídeo-game e descobrimos que eles podem contar histórias aterrorizantes e que podemos, por alguns momentos, viver aventuras fantásticas sem sair de casa. Coisas que, muitas pessoas deixavam de lado por puro preconceito.
Eu, particularmente, me considero um nerd. Não só pelas coisas que gosto mas, também, porque às vezes acho que nasci no planeta errado, tamanho o meu desprendimento com valores que movem esse planeta. Felizmente, eu me relaciono bem com as pessoas e tenho muitos amigos, coisas que muitos outros nerds têm dificuldade de fazer.
Em contrapartida, eu conheço muitos “nerds” que não conseguem ser assim. Pessoas excelentes e inteligentes mas que, por algum motivo, não conseguem se relacionar como eu consigo e acabam fechando-se em seu mundinho. Quando tenho a sorte de conhecer alguém assim, fico feliz! Feliz por ter o dom de enxergar o lado bom das pessoas, seja em uma balada, ou mesmo em uma masmorra lutando contra orcs…
Even Better Than The Real Thing (Até melhor que a realidade)
abril 14, 2011
Quando ouvi burburinhos sobre a vinda do U2 para o Brasil, condicionei minha mente a ignorar essas notícias. Fiz questão de não me preocupar com conversas sobre o assunto e deixar de lado tudo que dizia a respeito a esse show. Se você foi e postou fotos e vídeos nas “redes sociais”, eu não vi. Não por maldade, mas por não gostar de passar vontade.
Eu cresci curtindo U2. A banda é uma lembrança muito presente no meu passado e marcou a passagem da minha infância para a adolescência. Por estar em um período de transição, buscando novos horizontes e contendo gastos, optei por não dar bola para a espetacular apresentação do U2 em meu país.
Assisti bem quieto a todo o perrengue que amigos passaram para comprar ingressos, transações com cambistas, correrias e tudo mais. Presenciei a chegada de várias pessoas que vieram para a cidade apenas para ver o show e fiquei feliz por elas.
Passado os shows do fim de semana, estava tão desinformado sobre o que rolou, que nem me lembrava mais do assunto. Até ontem:
- Ow veado, cheguei a São Paulo hoje! Vamos ao show?
- Pô brother, nem vou. Não agilizei convite…
- Seu convite tá no meu bolso O-TÁ-RI-O!
=/
Pois é, esse amigo trabalha na HEINIKEN, um dos patrocinadores do evento e é meu amigo desde a época de remelas no nariz. Por saber que gosto da banda, fui o primeiro a ser lembrado.
Curtimos todos os minutos do show, bebemos muita HEINIKEN, cantamos as músicas desafinando todas, lembramos das pessoas que certas canções despertam em nossa memória e voltamos pra casa de alma lavada. Esse show tem esse poder. Transmite paz de espírito e certo “desprendimento”, que, normalmente, sinto apenas em experiências religiosas.
E foi isso! Se você esperava ver um post falando sobre as músicas, ideologia política, religião, Anistia Internacional, geopolítica e domingos sangrentos, veio ao lugar errado. Esse é um post sobre amizade e sobre as boas surpresas que ela pode proporcionar!
incertezas e ideias que incomodam
abril 6, 2011
“…não há propósito em escrever algo se não for para irritar alguém…” lí essa frase hoje em uma entrevista e isso me deixou meio cabreiro.
Um dos motivos que me chamou a atenção foi ler isso em uma época na qual se deve pensar muito antes de dizermos nossas opiniões. Um grande exemplo disso foi a polêmica entrevista dada ao CQC pelo tal deputado, que expôs o que pensava e está sofrendo as consequências.
Eu mesmo nem gosto de entrar na polêmica sobre preconceitos. Cada um sabe o que faz e idiota é aquele que acredita ser melhor que alguém por ter pele clara e/ou gostar do sexo oposto. O que me incomoda mesmo é a hipocrisia alheia; a ditadura das falsas “minorias” discriminadas e a extrema falta de bom senso de alguns.
Para irritar mais um pouco, hoje entrei em uma crise filosófica/ existencial, que me deixou alegre e triste. Lembrei que existem conflitos muito mais interessantes e que deviam tomar mais o nosso tempo. São essas revelações que temos quando estamos sozinhos e que nos levam a questionar tradições estabelecidas e nos fazem enxergar que o importante é estar com aqueles que amamos.
Se esse pequeno texto te irritou, meu caro(a) amigo(a), é sinal que ele cumpriu o seu papel e consegui compartilhar com você esse minuto de incerteza que assola essa mente insana que vos fala…
Mudanças
dezembro 16, 2010
Depois de um tempo, muita análise e refletir sobre, muita coisa passa a fazer sentido. O grande lance é abandonar preconceitos e tentar enxergar o outro lado da história, que muita gente deixa lado.
Mudanças são necessárias, mas não são essenciais. É necessário primeiro entender o porquê deve-se mudar, para depois pensar em tomar atitudes. Sem esse entendimento, nenhuma mudança atingirá seu objetivo, nem fará sentido.
Se for para mudar, que seja por você. Não mude porque sua mãe quer, seu namorado(a) precisa ou porque sua família exige. Faça por você e de coração, e saiba que mudanças geram expectativas e cobranças. Se você está disposto a mudar, prepare-se para as cobranças, mas lembre-se que o seu principal credor, será você mesmo.
Prepare-se também para os tropeços, momentos de fraqueza e decepções. As pessoas não são obrigadas a nos apoiar e entender; deveriam, mas não são. Então não prometa o que você não pode cumprir, seja sempre honesto com quem te ama e viva um dia de cada vez.
As decepções são casos à parte, e você terá muitas em sua vida. Leve-as para o lado do bom humor, ria de si mesmo, mas não deixe de confiar nas pessoas, porque sem elas não somos nada. Saiba também que em alguns momentos, a ausência da sinceridade é uma atitude imperdoável.
Desconsidere tudo o que eu disse se não fez sentido para você. São apenas pensamentos de uma pessoa que não tem o que fazer no momento e quer seu bem…
vivendo e aprendendo…
novembro 11, 2010
Hoje, eu aguardava minha condução, e do meu lado no ponto um senhor perguntava a todos os ônibus que passavam se ele podia entrar sem pagar. Era um velhinho muito magro, usando roupas super batidas e velhas, mas tinha um jeito muito simpático de falar.
Quando o meu chegou, o motorista deu o mesmo não que ele já havia recebido várias vezes, ele já ia saindo para perguntar em outro, mas fiquei com dó e disse que pagaria a sua passagem. Ele ficou surpreso, sorriu e aceitou.
Passei o bilhete único para ele e fui para o fundão, esperava que ele não me seguisse até lá para me pedir algo mais ou mesmo me tirar da minha rotina de leitura e música. Mas por sorte ele veio.
Ele foi até o fundão e sentou do meu lado. Eu já estava com fone de ouvidos e ensaiando começar a ler. Ele perguntou:
- O que o Senhor está lendo?
Eu respondi:
- 1984, pela segunda vez, e o Sr está no céu!
Ele deu um sorriso enorme e começamos um papo bem descontraído e acabei descobrindo o que simpático senhor foi professor de literatura e português antes de se aposentar, e que ele conhecia o livro que eu lia de cabo a rabo.
Contou-me que George Orwell, o escritor de 1984, e um dos meus favoritos era pseudônimo de Eric Arthur Blair, falou sobre cinema nacional, de “O Pagador de Promessas” até Arnaldo Jabor. Eu fiquei espantado, até esqueci do fone de ouvido e a vontade de ler.
Senti uma grande afinidade com o velhinho. Me senti mal por ver uma pessoa que sabe tanto precisando de ajuda para pagar um bilhete de ônibus, e tenho certeza que com toda essa simpatia, deve ter inspirado seus alunos com os meu professores fizeram.
Na hora de ir embora, ele agradeceu mais uma vez pela gentileza que fiz, e me deu um livro de presente. Desci do ônibus feliz.
É triste pensar que por motivos bobos, preconceitos sem sentido ou mesmo preguiça de sair da rotina, deixamos passar oportunidades assim e perdemos grandes lições por preguiça, comodismo ou mesmo por preferir ficar com o fone de ouvido…
Aos 30
setembro 1, 2010
Nesta semana completei mais um ano de vida e resolvi responder nesse post uma pergunta que meus amigos mais novos sempre me fazem:
- Como é ter 30 anos?
Respondendo a eles:
Quando você dá conta que chegou aos 30, e para pra pensar no que mudou, você nota que se tornou uma pessoa mais crítica e exigente. Não só profissionalmente, mas você reconhece os erros do passado e vê como foram importantes para seu amadurecimento.
Você passa a dar mais valor a sua família e vê sua real importância. Eles têm laços de afinidades inexplicáveis com você, e mesmo que você não queira, isso vai refletir para sempre em sua vida.
Você descobre que dos amores que viveu, os não correspondidos machucam menos com o passar do tempo e, os correspondidos deixam lembranças boas por toda a vida, mesmo que não tenham final feliz.
Você descobre a importância da consciência política e que nosso mundo é um palco, um castelo de cartas marcadas. Mesmo sabendo disso, você ainda sente a mesma sensação de impotência contra essa situação que tinha aos 20.
Você vê aquela chama de rebeldia que existia em você diminuir, mas continua admirando aqueles loucos de cabelo comprido, que expressam por meio da música tudo que você sente e acredita.
Seu gosto musical muda, seus prazeres mudam, as vezes você tenta ser o paizão dos amigos mais novos e dá conselhos que eles não nem sempre gostam, mas não é por chatice e sim porque você já passou por isso, e sabe de cor e salteado o final.
Você descobre também que sua coluna e seus joelhos não são tão fortes quanto você pensava, e que amigos de verdade nem a distância é capaz de separar. Eles, junto com as viagens que fez, os lugares que conheceu, as pessoas que amou são as únicas coisas que valem a pena e, as únicas coisas que levamos da vida.
Pelo menos comigo foi assim…
Inveja boa (se é que isso existe)
junho 15, 2010
Algum tempo atrás, eu dirigia pela Av. Paulista sentido Consolação. Era um daqueles dias que o sol estava de rachar e o trânsito para variar, frenético. Foi em uma sexta-feira, eu me lembro bem, e uma imagem me chamou a atenção no meio daquele caos: um casal de jovens fazendo um pacifico protesto em plena tarde.
Os 2 branquelos (que devem ter ficados que nem um pimentão depois) carregavam placas em protesto a desapropriação de terras indígenas. Eu estava meio “quarta-feira” pra variar, pensando na entrevista de emprego que faria em Pinheiros momentos depois, e demorei a entender a cena.
Quando percebi que era um protesto (de 2 pessoas apenas!) fiquei emocionado. Não é todo dia que se vê pessoas saindo de sua zona de conforto e lutando pelos direitos alheios.
Graças ao trânsito infernal, consegui parar na frente deles e falar:
- Parabéns, fico feliz em ver que ainda existem pessoas boas!
O rapaz não entendeu nada, a menina agradeceu com um sorriso.
Contei este acontecido para uma amiga e ela riu, mas confesso que senti inveja do casal. Inveja de não ter a coragem deles, a coragem de expressar minhas opiniões daquela forma.
Esta semana eu assisti “The Cove”, documentário que ganhou o Oscar desta categoria este ano e após assistir, lembrei do casal de jovens.
O documentário fala sobre a matança de golfinhos que acontece em setembro no Japão, e sobre a luta de um ex-treinador de golfinhos para preservar a espécie.
No filme perguntam a ele quantas vezes ele foi preso fazendo esse tipo de protesto, e ele responde:
- Esse ano?
Novamente senti inveja, dessa vez, de um senhor de 65 anos.
Não vou falar mais nada sobre o filme, mas recomendo que você assista e tire suas conclusões, mas a meu ver, são atitudes assim que podem transformar o mundo, sejam elas um singelo protesto juvenil ou mesmo a luta por uma grande causa.









